Todos os copos da linha Idéelle da Holmegaard são soprados à boca, uma expressão que surge em inúmeras fichas de produto e que raramente é explicada. Este artigo analisa o que o termo significa realmente para o copo que tem à mesa: a espessura das paredes, a razão pela qual não há duas peças exatamente iguais e o motivo de o copo de vinho tinto pesar o dobro dos restantes.
Per Lütken e a linha Idéelle de 1978
A Idéelle foi desenhada por Per Lütken e data de 1978. Lütken entrou na Holmegaard em 1942 e ficou na empresa até à sua morte, em 1998, o que faz dele o designer mais estreitamente ligado ao nome Holmegaard. A marca descreve-o como um dos seus vidreiros mais avançados. Os seus desenhos tendem a partir daquilo que o vidro fundido quer fazer quando é rodado e insuflado, e não de um desenho imposto ao material.
Esse instinto vê-se na Idéelle. A linha revela o entusiasmo de Lütken por formas amplas e femininas: bojos que se alargam e depois se fecham suavemente em direção à borda, e um rebordo arredondado onde muitos copos modernos têm um lábio cortado e vivo. Foi pensada como um serviço completo, com copos para vários tipos de vinho, água, champanhe, brandy, aquavit e cerveja, em versões com e sem pé. Quase cinco décadas depois, as formas continuam a ser produzidas em vidro transparente, o que diz muito sobre quão pouco dependiam das modas de 1978.

O que significa soprado à boca, na prática
Um copo soprado à boca começa como uma porção de vidro fundido recolhida na ponta de uma cana de sopro. O vidreiro insufla-a com o próprio fôlego, roda-a continuamente para que a gravidade não a deforme e dá forma ao bojo, muitas vezes dentro de um molde que define o perfil exterior. A haste e o pé são trabalhados enquanto o vidro ainda está quente, e a peça é depois arrefecida lentamente para que as tensões internas não a façam rachar mais tarde. O vidro prensado ou soprado à máquina segue a mesma física de base, mas a pressão do ar e os tempos são definidos por equipamento e não por uma pessoa.
O processo manual tem três consequências práticas, e são essas que vale a pena compreender antes de pôr a mesa com Idéelle.
Espessura das paredes
Como o bojo é insuflado e rodado à mão, o vidro pode ser esticado de forma fina e regular, e a borda não precisa de ser engrossada para ganhar resistência, como acontece muitas vezes com o vidro prensado. Na Idéelle, isto traduz-se no rebordo suave e arredondado que a Holmegaard destaca: o vidro é acabado de modo a que o lábio seja liso na boca, em vez de apresentar uma aresta dura. As paredes finas também contam para o vinho. Vê-se a cor do que está no copo com menos distorção, e o próprio vidro quase não acrescenta sensação de massa quando se levanta.
Pequenas variações entre peças
Não há dois copos soprados à boca exatamente iguais. A altura de uma haste pode variar uma fração, o bojo pode assentar no pé de forma ligeiramente diferente e, de vez em quando, encontra-se uma minúscula bolha de ar presa no vidro. São marcas do método, não defeitos. Ponha seis copos Idéelle em fila e leem-se como um conjunto a condizer; observe um ao lado de outro com atenção e verá que cada um foi moldado individualmente. Muitos colecionadores de Holmegaard valorizam exatamente isto, a prova discreta de que foi uma pessoa a fazer o objeto.
Peso e equilíbrio
Num copo soprado à boca, o peso é distribuído pelo vidreiro, e Lütken prestava atenção ao sítio onde ele fica. A Holmegaard refere que o equilíbrio do peso torna os copos confortáveis de segurar. Os pesos indicados estão arredondados à décima de quilograma, pelo que servem de referência e não de medida exata, mas são reveladores: os copos de vinho branco, de champanhe e de vinho de sobremesa aparecem cada um com 0,2 kg, enquanto o copo de vinho tinto, maior, aparece com 0,4 kg. O copo de vinho tinto tem um bojo maior, uma haste mais alta e um pé mais largo para se manter estável, e é nesse vidro a mais que está o peso.

Os quatro copos de pé Idéelle lado a lado
Os quatro copos de pé com que a maioria das pessoas começa partilham o mesmo perfil de família, mas diferem na altura, na abertura e na capacidade. Os valores abaixo são os indicados pela Holmegaard.
| Copo | Capacidade | Altura | Diâmetro | Peso |
|---|---|---|---|---|
| Vinho tinto | 28 cl | 20 cm | Ø8,5 cm | 0,4 kg |
| Champanhe | 23 cl | 19,5 cm | Ø7 cm | 0,2 kg |
| Vinho branco | 19 cl | 17,5 cm | Ø7,5 cm | 0,2 kg |
| Vinho de sobremesa | 14 cl | 15,5 cm | Ø6,5 cm | 0,2 kg |
Há dois pormenores que se destacam. O copo de champanhe é quase tão alto como o de vinho tinto, mas tem a abertura mais estreita dos três maiores, Ø7 cm, o que mantém as bolhas a subir numa coluna fina. E as alturas descem em intervalos bem marcados, pelo que um lugar posto completo se lê como um grupo escalonado e não como uma fila de quase duplicados.
Escolher e combinar os copos
O Idéelle Red Wine Glass 28 cl clear é a primeira compra natural para a maioria das casas. O bojo de 28 cl dá espaço ao vinho tinto para respirar, e o peso extra torna-o firme na mão. Se bebe sobretudo vinho branco, o Idéelle White Wine Glass 19 cl clear é o copo mais útil para o dia a dia: com 17,5 cm é visivelmente mais baixo, e o bojo mais pequeno de 19 cl adequa-se a vinho servido fresco, em doses menores e reposto com mais frequência.

O Idéelle Champagne Glass 23 cl clear completa uma mesa de festa e, como a sua altura é próxima da do copo de vinho tinto, os dois alinham-se bem quando estão postos em cada lugar. O Idéelle Dessert Wine Glass 14 cl clear é o mais pequeno dos quatro, com 15,5 cm e 14 cl, pensado para vinho do Porto, vinhos doces ou um pequeno cálice no final da refeição. Colocado à frente dos copos maiores, fecha a linha descendente de alturas.
Uma abordagem prática é comprar primeiro o copo que vai usar todas as semanas e acrescentar os outros para as ocasiões em que realmente recebe. Como a linha se mantém em produção desde 1978, completar um conjunto mais tarde é simples. Se está a comparar a Idéelle com os copos de pé mais descontraídos da Holmegaard, o nosso comparativo Flow ou Idéelle: que copo Holmegaard para o dia a dia coloca os dois lado a lado.
Viver com vidro soprado à boca
Paredes finas não significam fragilidade no uso diário, desde que os copos sejam tratados com bom senso. A Holmegaard indica que a Idéelle pode ir à máquina de lavar loiça a um máximo de 55°C, em programa para copos. Disponha os copos de forma a que não se toquem entre si nem toquem no cesto, porque o contacto durante a lavagem é uma causa de lascas mais comum do que o calor. Ao lavar à mão, segure o copo pelo bojo em vez de o torcer pelo pé, e seque-o com um pano que não largue pelo enquanto ainda está morno, para evitar marcas de água.
Guarde os copos de pé e não virados sobre a borda; o rebordo arredondado é a parte mais finamente trabalhada do copo. Com os anos, poderá reparar que cada copo do seu conjunto tem um carácter ligeiramente próprio, uma haste um pouco mais alta, um bojo um nada mais cheio. É o método a falar, e é a razão pela qual um copo soprado à boca de um desenho de 1978 continua a sentir-se diferente na mão de um feito à máquina.
Para ver a Idéelle ao lado dos restantes copos de pé, copos e jarros da Holmegaard, explore toda a coleção de vidros.
